A Petrobras, quem diria,
outrora o orgulho de todos os brasileiros, acabou por se converter nisso que
está aí: uma massa disforme, um resto da carniça que por muitos anos
serviu de repasto à verdadeira manada de hienas colocada em posição de mando na
empresa pelo Partido dos Trabalhadores.
Hoje, resultado da roubalheira
institucionada e de desmandos variados, a Petrobras virou uma mera sombra de si
mesma. Diante da quebra de confiança dos investidores brasileiros e
estrangeiros, por conta do tamanho do roubo perpetrado, a estatal
torna-se trôpega por conta do aumento do valor do dólar, moeda na qual está
atrelada mais de 80% de sua dívida de cerca de 350 bilhões de reais.
Nos anos da tapeação em que se
usou a mística do pré-sal e da autossuficiência (jamais alcançada na verdade)
para fazer a empresa crescer, a Petrobras se endividou até o pescoço. De
lá para cá tudo tem sido um despencar morro abaixo: a Petrobras, que há
vinte anos atrás chegou a valer no mercado mais de quatro vezes o seu
patrimônio líquido, hoje vale apenas um terço de dele, uma situação que
prenuncia o desastre.
No turbilhão de falcatruas e
ladroagens que a cada dia vão surgindo nas investigações da destruição da
Petrobras por uma quadrilha de gangsters – colocada em postos-chaves da empresa
por gente graúda do PT -, as atenções dos investigadores do Ministério
Público volta a se focar no pungente odor de latrina a emanar das
atividades passadas da Gerência de Novos Negócios, a mesma que a
partir de 2010 capitaneou o projeto da maior liquidação de ativos da estatal,
em toda sua história.
Sem recursos em caixa (pela
soma dos efeitos da corrupção deslavada, políticas incompetentes e mal
gerenciamento), a Petrobras resolveu se desfazer do patrimônio que
ao longo de muitas décadas, e com muito sacrifício, conseguira construir
fora do Brasil. Tudo entrou na festa do eufemisticamente chamado “plano de
desinvestimento”: poços de petróleo, postos de combustível, refinarias,
equipamentos e participações em empresas.
A imprensa já vinha há tempos
levantando indícios de grossa trapalhada no processo do feirão. Uma decisão
que à época causou grande polêmica dentro e fora da empresa, foi a de
vender metade da Petrobras Argentina à empresa Indala. A operação levantou suspeitas
por três razões: o valor e a ocasião da venda, a identidade do novo sócio e,
sobretudo, o modo um tanto estranho de como ele surgiu no esquema.
E na Nigéria, onde a Petrobrás
possuia três poços (Agbami, Akpo e Engina) com uma reserva de 150 milhões de
barris de petróleo? Denúncia já feita à Polícia Federal assinala que em poucos
meses a estatal vendeu metade dos negócios que tinha na África, que valeriam
3,5 bilhões de dólares, por apenas 1,5 bilhão. A operação foi realizada
com o Banco BTG Pactual, de André Esteves, banqueiro muitíssimo ligado ao
ex-presidente Lula.

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