Mudança radical não é sinônimo de solução de problemas - ou a história
das duas pulgas
Muita gente imagina que a solução
para seus problemas esteja em uma mudança
radical, como se tudo o que foi feito até
hoje estivesse errado. Acontece que muitas vezes uma pequena
mudança pode fazer um efeito muito maior do que uma grande mudança. É o que ensina a historinha das duas
pulgas.
Um dia, as duas estavam reclamando da vida
quando uma disse para a outra:
- Sabe qual é o nosso problema? Nós não sabemos voar, só sabemos
saltar. Aí, quando o cachorro percebe a nossa presença, a nossa chance de
sobrevivência é zero. É por isso que existem mais moscas do que pulgas neste
mundo. Moscas voam.
E aí, as duas pulgas fizeram um
curso de mosca. Aprenderam a voar, mas não
ficaram satisfeitas. E uma disse para a
outra:
- Sabe qual é o nosso grande problema? Nós ficamos grudadas no corpo
do cachorro. Daí, nosso tempo de reação é mais lento que a coçada dele.
Temos que fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.
E as duas pulgas fizeram um curso
de abelha, mas não ficaram satisfeitas. E
uma disse para a outra:
- Sabe qual é o nosso grande problema? Nosso estômago é muito
pequeno. Escapar do cachorro a gente até escapa, mas não estamos nos
alimentando adequadamente. Temos que ser como os pernilongos, que têm aquele
barrigão enorme.
E aí, as duas fizeram um curso de
pernilongo, mas não ficaram satisfeitas.
Porque com aquele barrigão eram facilmente percebidas pelo
cachorro e eram espantadas antes mesmo
de conseguir pousar.
Totalmente frustradas, porque nada na vida delas dava certo, as duas pulgas encontraram uma saltitante pulguinha.
Como viram que a pulguinha estava forte, saudável e sacudida, as duas pulgas
perguntaram:
- Escuta, que curso de mudança você fez que nós ainda não
fizemos?
E a pulguinha respondeu: -
Nenhum, ué.
- Como assim, nenhum?, perguntaram as
pulgonas. - Como é que você escapa da coçada do cachorro?
E a pulguinha respondeu:
- Ah, é simples. Em vez de fazer cursos e mais cursos, eu fiquei quietinha, só
prestando atenção ao cachorro. Aí percebi que bastava eu sentar no cocoruto
dele. É o único lugar que ele não alcança com a pata.
Max Gehringer,

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