Desespero ou estratégia
Joseph Blatter tentou ao máximo: no auge da crise, insistiu em ser reeleito
presidente da Fifa. Seu adversário político (e amigo pessoal) Michel Platini
pediu-lhe que renunciasse. Rejeitou o pedido. E, de repente, cinco dias depois
de ser reeleito, anunciou que convocará novas eleições e renunciará assim que
houver novo presidente.
Pode ser estratégia: submergir e esperar a crise passar (talvez tenha até feito
algum acordo com quem investiga o caso das propinas). Perde um cargo de
altíssimo prestígio, de altíssimos rendimentos, de altíssimo poder, mas mantém
a liberdade e, com quase 80 anos, aposenta-se. Pode ser desespero: acreditar
que, longe do poder, será poupado do facão que atingiu tantos de seus aliados -
inclusive o principal, Jerôme Valcke. Curiosamente, foi logo após as acusações
contra Valcke, no The New York
Times, que Blatter desistiu de ficar.
Por que desistiu é ainda um mistério. Mas uma coisa é clara: depois de 17 anos
no poder supremo da Fifa, se Blatter resolver falar nada irá restar intacto.
Uzianque e a zelite
Os aliados de Blatter e alguns intelectuais de esquerda explicam a crise do
mesmo jeito: os Estados Unidos resolveram vingar-se por não ter sido escolhidos
como sede da Copa. Até pode ser.
Mas a pergunta correta é outra: os fatos denunciados aconteceram? As pessoas
pagaram e receberam propina? Se os fatos são reais, se houve pagamento e
recebimento de propina, de que se queixam?
O mundo gira
Este colunista é gordo, e gordos não esquecem. Nos arquivos, sabe quem falava
bem de José Maria Marin? Romário, claro; e o Ministério Público paulista. E
Bebeto, que fazia dupla de ataque com Romário na Seleção campeã de 1994.

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