Bem-vindo ao BLOG DO LUCAFE

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Histórias de Motociclistas.

 


AMADAS MAQUINAS QUE RONCAM(1)

         Antes que clareie e o sol abrilhante o dia, os motores são acionados, as motos que pernoitaram previamente paramentadas com volumosos alforjes precedem a grande viagem, e indicam obvio a noite mal dormida digna das noites que antecedem a apreensão da próxima aventura.

 

Largos sorrisos motores sussurrando e vivas aos companheiros quebram então o silencio da madrugada e cordialmente a face demonstra a plenitude deste momento de real felicidade, algum acelerado mais frenético indica que o piloto está pronto e concentrado para pegar a estrada, as companheiras (garupas) de bordo invariavelmente trajando couro preto o que as deixam sexy e mais bonitas encerram a costura da madrugada (bate papo) e encapuzadas ajustam os capacetes e calçam as luvas.

 

Alguém buzina, outros aceleram, o coração dispara este é o momento, não dá mais prá segurar explode coração, destampa a nossa frente a imensidão da estrada, surgem aí os ajustes iniciais, retrovisores, velocidade, assento,um velho tinindo para o garupa que corresponde informando que está tudo bem, aos poucos alinhados em fila indiana intercalado entre o primeiro e o último alguém confere os faróis e pronto, temos a sensação do todo, de estarmos ali participando, interagindo, uma rápida olhadela no velocímetro e hodômetro , informa a velocidade de cruzeiro, segura e confortável e o longo trajeto a percorrer, um suspiro agora libera o anfiteatro da mente e dá inicio a fase contemplativa, o admirar do belo, o conjunto da obra, a estrada, o céu, os irmãos de preto, as garupas e as  rabetas das adoráveis motocicletas.Não nos preocupa nem o alfa nem o  ômega, o estágio agora  é o relax absoluto, suspiros, a complexidade do momento nos faz completos, próximos da sensação de felicidade plena.

 

·   Quem ora encontra Deus,

·   quem voa encontra o ar,

·   quem nada encontra o mar,

·   quem roda encontra a roda,

·   e a roda nos leva aonde quer chegar.

 

Após um momento de introspecção este instante particular propriamente mágico é interrompido por um sinal de braço, parada para abastecimento, café, banheiro, pastel dormido gorduroso e outras delicias mais.

 

 A tradicional receptividade: _ De onde tu vens? Prá onde tu vais?

 

Ao que respondemos com muito carinho e atenção e como não poderia deixar de ser gabamos (elogiamos) as motocicletas, por vezes enciumamos quando as adoráveis garupas (parceiras) chamam mais atenção que as amadas motocicletas.

 

Muito provavelmente os primeiros 200 km estarão percorridos, pois esta é a média que uma estradeira requer abastecimento, capacetes e luvas sobre a mesa e jaquetas nas cadeiras em deliciosa bagunça organizada informa nossa presença, e o esticar das pernas que se limita entre descer da moto, ir ao banheiro e encontrarmos a primeira cadeira ou banco vazio, um bom papo sem pressa, porem sem preguiça, é momento único como outros tantos únicos momentos.

 

Quilômetros passam,veículos ultrapassados, o grupo se aproxima do tão esperado destino, rever velhos amigos, cativar novos amigos, modestos hotéis, área de camping, café da manhã, churrasco, acolhida preparada com muito carinho e dedicação por abnegados anfitriões, homens de preto, (e mulheres também), um moto grupo ou um único amigo, barracas, bandos e bandas a conjunção mágica e harmoniosa entre o bom e velho rock‘n’roll (sempre atual) e as máquinas que roncam, orgulhosos de pertencermos a uma minoria interessante que nos faz inteiros, bem resolvidos, bem humorados, iguais frente ao Criador, que se não permitiu ao homem voar, nos permitiu a sensação plena de liberdade ao pilotarmos ‘’Amadas Máquinas que Roncam”.

Versieux  (Pai)

Estradeiros Independentes (Moto clube)     

Nenhum comentário: