AMADAS
MAQUINAS QUE RONCAM(1)
Antes que clareie e o sol abrilhante o dia, os motores são acionados, as motos que pernoitaram previamente paramentadas com volumosos alforjes precedem a grande viagem, e indicam obvio a noite mal dormida digna das noites que antecedem a apreensão da próxima aventura.
Largos sorrisos motores sussurrando e vivas aos
companheiros quebram então o silencio da madrugada e cordialmente a face
demonstra a plenitude deste momento de real felicidade, algum acelerado mais
frenético indica que o piloto está pronto e concentrado para pegar a estrada,
as companheiras (garupas) de bordo invariavelmente trajando couro preto o que
as deixam sexy e mais bonitas encerram a costura da madrugada (bate papo) e
encapuzadas ajustam os capacetes e calçam as luvas.
Alguém buzina, outros aceleram, o coração dispara
este é o momento, não dá mais prá segurar explode coração, destampa a nossa
frente a imensidão da estrada, surgem aí os ajustes iniciais, retrovisores,
velocidade, assento,um velho tinindo para o garupa que corresponde informando
que está tudo bem, aos poucos alinhados em fila indiana intercalado entre o
primeiro e o último alguém confere os faróis e pronto, temos a sensação do
todo, de estarmos ali participando, interagindo, uma rápida olhadela no
velocímetro e hodômetro , informa a velocidade de cruzeiro, segura e
confortável e o longo trajeto a percorrer, um suspiro agora libera o anfiteatro
da mente e dá inicio a fase contemplativa, o admirar do belo, o conjunto da
obra, a estrada, o céu, os irmãos de preto, as garupas e as rabetas
das adoráveis motocicletas.Não nos preocupa nem o alfa nem o ômega,
o estágio agora é o relax absoluto, suspiros, a complexidade do
momento nos faz completos, próximos da sensação de felicidade plena.
· Quem ora encontra Deus,
· quem voa encontra o ar,
· quem nada encontra o mar,
· quem roda encontra a roda,
· e a roda nos leva aonde quer chegar.
Após um momento de introspecção este instante
particular propriamente mágico é interrompido por um sinal de braço, parada
para abastecimento, café, banheiro, pastel dormido gorduroso e outras delicias
mais.
A tradicional receptividade: _ De onde tu
vens? Prá onde tu vais?
Ao que respondemos com muito carinho e atenção e
como não poderia deixar de ser gabamos (elogiamos) as motocicletas, por vezes
enciumamos quando as adoráveis garupas (parceiras) chamam mais atenção que as
amadas motocicletas.
Muito provavelmente os primeiros 200 km estarão
percorridos, pois esta é a média que uma estradeira requer abastecimento,
capacetes e luvas sobre a mesa e jaquetas nas cadeiras em deliciosa bagunça
organizada informa nossa presença, e o esticar das pernas que se limita entre
descer da moto, ir ao banheiro e encontrarmos a primeira cadeira ou banco
vazio, um bom papo sem pressa, porem sem preguiça, é momento único como outros tantos
únicos momentos.
Quilômetros passam,veículos ultrapassados, o grupo
se aproxima do tão esperado destino, rever velhos amigos, cativar novos amigos,
modestos hotéis, área de camping, café da manhã, churrasco, acolhida preparada
com muito carinho e dedicação por abnegados anfitriões, homens de preto, (e
mulheres também), um moto grupo ou um único amigo, barracas, bandos e bandas a
conjunção mágica e harmoniosa entre o bom e velho rock‘n’roll (sempre atual) e
as máquinas que roncam, orgulhosos de pertencermos a uma minoria interessante
que nos faz inteiros, bem resolvidos, bem humorados, iguais frente ao Criador,
que se não permitiu ao homem voar, nos permitiu a sensação plena de liberdade
ao pilotarmos ‘’Amadas Máquinas que Roncam”.
Versieux (Pai)
Estradeiros Independentes (Moto
clube)

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