AMADAS MAQUINAS QUE RONCAM 2
Versieux (Pai) - Estradeiros Independentes (Moto clube)
O motociclista estradeiro é aquele que se adaptou à liberdade de ser despreocupado
da opinião alheia, renunciou às glórias deste mundo, optou pela vida festiva, a
vida é uma festa, murmúrios matinais e matinês, qualquer presença dos irmãos é
de fato festa.
Nada como estarmos sempre acompanhados de pessoas ricas, riqueza de ser e ter
financeiramente só o suficiente podendo partilhar fraternalmente a viagem, em
essência ser rico é uma questão de qualidade e não do que você possui que
ironicamente lhe faz escravo de suas posses.
Sorrir, sempre sorrir é indicativo que conquistamos nosso espaço, que o mundo
de possibilidades se tornou uma realidade, matizes e cores estão na alma,
talvez por isso vestir preto é nosso estilo. Há quem diga que somos MUNDRUNGUEIROS (segundo o pai dos burros – fazedor
de mundrunga, feiticeiros), pois vêem em nossas caveiras e metais um indicativo
de pressuposto réu (“conforme a dona que vendia pastel”).
Nossas tatuagens que historicamente simbolizavam piratas, detentos e rebeldes
sem causa, hoje patenteiam a nossa personalidade estradeira e outras minorias
interessantes, vocalistas, bandos e bandas que em nosso meio prestam um tributo
aos Deuses do Rock, brindando conosco a matusalênica sabedoria de não deixarmos
para viver o amanhã porque se não, o hoje deixará de se chamar PRESENTE. Brindar a nós mesmos que
cumprimos o nosso papel social e, portanto, merecemos o PRESENTE que se chama hoje, então hoje é festa.
Não importa se ferrolho (último da fila), PP (novo integrante) ou batedor
(veterano), se matriz ou filial (garupas), aqui prevalece o bom senso, o
respeito aos limites. Nosso comportamento, por si só, tornaria a existência de
leis desnecessária, o que demonstra o nosso nível de comprometimento e respeito
ao próximo, o que não nos exime de cumprirmos as leis, devido à importância
nelas inserida. Afinal, a estrada é nosso palco, os eventos nossa comunhão,
nossa conduta, nossos bons costumes e nossas boas palavras (sem alterações).
O evento requer espaço, espaços para amplos abraços, demonstração de apreço e
respeito aos irmãos de estrada, buços e buças, garotos e bons garotos se fazem
presentes (traduzindo: esposas e brotinhos, cães de caça e casados), momento em
que somos recebidos e acolhidos com muito carinho pelos motociclistas
anfitriões e pela população local, ver velhos e conquistarmos novos amigos. O
encontro organizado para motociclistas movimenta a cidade, divulga o que há de
belo, lota hotéis, pousadas, motéis e ainda restaurantes, lanchonetes e
padarias. Enfim, todo o comércio local se vê beneficiado com nossa visita.
A Segurança Pública não registra
ocorrências com a nossa presença (disso eu entendo bem), afinal, quem
investe uma soma considerável em máquinas, paramentos e acessórios, não viaja
quilômetros para causar dano ou prejuízo a quem quer que seja.
Esta condição não está no Princípio do
Motociclismo, pois o motociclista goza de prestígio e credibilidade, sendo
alguém que já percorreu um longo caminho e não pretende ser referência de
brigas ou badernas, estamos muito “velhos” para isto (hahaha!!!! Desculpem, não
resisti).
Nossos alforjes (bolsas) transportam
muito mais que roupas, pulseiras e anéis, levam alegria, alegria e experiência, uma conjunção
daquilo que não se vende nem se compra, o que se chama Felicidade.
Nas áreas de camping, sonhos, roncos e
boas gargalhadas. O silêncio total ainda devemos esperar pacientemente,
pois ali também é uma extensão do evento e os amigos, só depois de muitas
advertências se calam, respeitando o protesto dos MOTOCASCAS (expressão que
designa muita atividade, dança e abusos etílicos).
Mas atenção! Dormir mesmo, só se o Pai
do Ronco (leia-se Serjão da Setegalo), não estiver na tenda, caso contrário,
aquele seu cobertor “tomara que amanheça”, que você passa a noite toda
“pedalando” (veja bem, eu escrevi pedalando), vai ficar menor ainda. É comum,
neste caso, ouvirmos barracas andantes (arrastadas para longe, digo, muito
longe) e protestos diversos, sendo o mais comum: PQP (tradução censurada),
ninguém merece!!!! Fato é que este companheiro já levou muitos tradicionais
acampantes a freqüentarem hotéis e afins. Amamos ele, mas somente quando
acordado... Putz! Ninguém merece!!! (grifo nosso)
Como se vê, a área de camping com chuveiros quentes, Chu 0800 (churrasco
ofertado), café da manhã e receptividade é o que nos faz rodar (viajar).
Amizade é aquilo que nos move e nos faz cores e matizes na alma dos homens de
preto, usando o tradicionalismo do couro (mundrungueiro). Mas, se nada disso
houvesse, estaríamos, de toda forma, presentes, porque de fato, nós somos o
PRESENTE e hoje é dia de festa.
Motociclistas: Saibamos chegar e sair. O
mundo não está preparado para nossa felicidade! Termos Deus como aliado, eles
não suportariam...
Versieux - Estradeiros Independentes MC

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