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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Historias de Motociclistas

 


AMADAS MAQUINAS QUE RONCAM 2

 Versieux  (Pai) - Estradeiros Independentes (Moto clube)

 

                    O motociclista estradeiro é aquele que se adaptou à liberdade de ser despreocupado da opinião alheia, renunciou às glórias deste mundo, optou pela vida festiva, a vida é uma festa, murmúrios matinais e matinês, qualquer presença dos irmãos é de fato festa.

 

                    Nada como estarmos sempre acompanhados de pessoas ricas, riqueza de ser e ter financeiramente só o suficiente podendo partilhar fraternalmente a viagem, em essência ser rico é uma questão de qualidade e não do que você possui que ironicamente lhe faz escravo de suas posses.

 

                    Sorrir, sempre sorrir é indicativo que conquistamos nosso espaço, que o mundo de possibilidades se tornou uma realidade, matizes e cores estão na alma, talvez por isso vestir preto é nosso estilo. Há quem diga que somos MUNDRUNGUEIROS (segundo o pai dos burros – fazedor de mundrunga, feiticeiros), pois vêem em nossas caveiras e metais um indicativo de pressuposto réu (“conforme a dona que vendia pastel”).

 

                    Nossas tatuagens que historicamente simbolizavam piratas, detentos e rebeldes sem causa, hoje patenteiam a nossa personalidade estradeira e outras minorias interessantes, vocalistas, bandos e bandas que em nosso meio prestam um tributo aos Deuses do Rock, brindando conosco a matusalênica sabedoria de não deixarmos para viver o amanhã porque se não, o hoje deixará de se chamar PRESENTE. Brindar a nós mesmos que cumprimos o nosso papel social e, portanto, merecemos o PRESENTE que se chama hoje, então hoje é festa.

 

                    Não importa se ferrolho (último da fila), PP (novo integrante) ou batedor (veterano), se matriz ou filial (garupas), aqui prevalece o bom senso, o respeito aos limites. Nosso comportamento, por si só, tornaria a existência de leis desnecessária, o que demonstra o nosso nível de comprometimento e respeito ao próximo, o que não nos exime de cumprirmos as leis, devido à importância nelas inserida. Afinal, a estrada é nosso palco, os eventos nossa comunhão, nossa conduta, nossos bons costumes e nossas boas palavras (sem alterações).

 

                    O evento requer espaço, espaços para amplos abraços, demonstração de apreço e respeito aos irmãos de estrada, buços e buças, garotos e bons garotos se fazem presentes (traduzindo: esposas e brotinhos, cães de caça e casados), momento em que somos recebidos e acolhidos com muito carinho pelos motociclistas anfitriões e pela população local, ver velhos e conquistarmos novos amigos. O encontro organizado para motociclistas movimenta a cidade, divulga o que há de belo, lota hotéis, pousadas, motéis e ainda restaurantes, lanchonetes e padarias. Enfim, todo o comércio local se vê beneficiado com nossa visita.

                    A Segurança Pública não registra ocorrências com a nossa presença (disso eu entendo bem), afinal, quem investe uma soma considerável em máquinas, paramentos e acessórios, não viaja quilômetros para causar dano ou prejuízo a quem quer que seja.

 

                     Esta condição não está no Princípio do Motociclismo, pois o motociclista goza de prestígio e credibilidade, sendo alguém que já percorreu um longo caminho e não pretende ser referência de brigas ou badernas, estamos muito “velhos” para isto (hahaha!!!! Desculpem, não resisti).

 

Nossos alforjes (bolsas) transportam muito mais que roupas, pulseiras e anéis, levam alegria, alegria e experiência, uma conjunção daquilo que não se vende nem se compra, o que se chama Felicidade.

 

                    Nas áreas de camping, sonhos, roncos e boas gargalhadas. O silêncio total ainda devemos esperar pacientemente, pois ali também é uma extensão do evento e os amigos, só depois de muitas advertências se calam, respeitando o protesto dos MOTOCASCAS (expressão que designa muita atividade, dança e abusos etílicos).

 

Mas atenção! Dormir mesmo, só se o Pai do Ronco (leia-se Serjão da Setegalo), não estiver na tenda, caso contrário, aquele seu cobertor “tomara que amanheça”, que você passa a noite toda “pedalando” (veja bem, eu escrevi pedalando), vai ficar menor ainda. É comum, neste caso, ouvirmos barracas andantes (arrastadas para longe, digo, muito longe) e protestos diversos, sendo o mais comum: PQP (tradução censurada), ninguém merece!!!! Fato é que este companheiro já levou muitos tradicionais acampantes a freqüentarem hotéis e afins. Amamos ele, mas somente quando acordado... Putz! Ninguém merece!!! (grifo nosso)

 

                    Como se vê, a área de camping com chuveiros quentes, Chu 0800 (churrasco ofertado), café da manhã e receptividade é o que nos faz rodar (viajar). Amizade é aquilo que nos move e nos faz cores e matizes na alma dos homens de preto, usando o tradicionalismo do couro (mundrungueiro). Mas, se nada disso houvesse, estaríamos, de toda forma, presentes, porque de fato, nós somos o PRESENTE e hoje é dia de festa.

 

                    Motociclistas: Saibamos chegar e sair. O mundo não está preparado para nossa felicidade! Termos Deus como aliado, eles não suportariam...

Versieux - Estradeiros Independentes MC

 

 

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